ACEPP – Associação Cultural e Esportiva de Paraguaçu Paulista

Hoje, quero falar sobre algo que me encanta, agora que vivo longe dessa cidade tão querida: a maravilhosa convivência em Paraguaçu dos “ocidentais” com os “orientais”.

Nasci aí e aprendi a conviver em harmonia com os “japoneses” e seus descendentes. Nunca me senti melhor ou pior que eles em qualquer circunstância, sempre fui um igual; conquistei amizades inesquecíveis e valores que só a alma possui, tudo era natural e perfeito.

Nas minhas andanças, como loiro e alemão que sou, me chamavam de “alemão batata”, resquícios do ranço que a Segunda guerra causou, e logo vi que não estava sozinho: tinham os calabreses e os japoneses compondo o eixo.

Fui aprendendo amar essa gente reservada e cheia de honra: os japoneses e seus descendentes. Aprendi um pouco sobre a sua cultura e valores e identifiquei-me logo com eles.

Ainda jovem, frequentava a ACEPP e admirava o esforço dos seus dirigentes na integração de culturas com festividades para todos, lá pertinho do Campo de Aviação; eram dias de festas e competições, em que os vencedores ganhavam lápis e coisas simples, subindo num pau de sebo.

Havia uma casa assobradada de madeira em que moravam os professores, ditos “senseis”? Tornei-me amigo de um, ele tinha vindo recentemente do Japão com sua irmã, e passamos a nos respeitar.

Ainda nesse tempo, algo que marcou definitivamente a minha vida: a atividade esportiva de Beisebol, comandada pelo inesquecível Mitsuo Marubayashi; ele havia retornado de São Paulo como Economista recém-formado pelo Mackenzie e jovem, cheio de projetos, comandou um time de também jovens, numa equipe de beisebol que ficou para a história. Eu comparecia todos os sábados aos treinos, e deliciava-me com esses astros que disputaram títulos regionais com as melhores equipes da Alta Sorocabana.

Com a minha visão monocular, não podia praticar esportes, eu só admirava meus verdadeiros amigos na competição e esporte. Fato que passou ignorado por muitos: num sábado de treinos, estava eu lá na arquibancada de madeira assistindo a um jogo-treino, e quando olho para cima, vejo Amâncio Mazzaropi sentado, colhendo matéria para seus filmes; isso deve ter sido em 1967. Vocês sabiam disso?

A casa de madeira foi demolida e surgiu uma construção em alvenaria que se tornou a atual ACEPP. Quantas lembrança, quantas saudades e quantos amigos fiz lá! As tardes domingueiras, com os vinis tocados pela velha Sonata, ouvindo Ray Connif, Billy Vaughan e Agnaldo Thimoteo. Foi lá que aprendi a dançar o dois prá lá e dois prá cá, com a Maria Omori ou com a Alice Ishikawa; foi lá que eu conheci os amigos inesquecíveis, e a primeira namorada.

Há uns tempos atrás, fiquei sabendo que meu querido espaço chamado ACEPP, foi seccionado por uma rua e que o campo de beisebol não existia mais. Fiquei relembrando as tardes queridas em que assistíamos azes do beisebol e achávamos graça em ver famílias japonesas e nisseis comendo aquelas comidas estranhas para nós, nas arquibancadas.

Quando vim para São Paulo, notei a indiferença e isolamento com que aqui se tratam os imigrantes, e isso me doeu: na minha cultura, sempre achei que todos somos irmãos, independentes da cor, raça ou religião. Aqui, todos vivem em verdadeiras colônias para se protegerem, talvez, da discriminação. Vi o quanto Paraguaçu é real e cósmica.

Se vocês que me leram observarem, sempre procuro não citar nomes, para não ser injusto, mas dessa vez citei o Dr. Mitsuo Marubayashi como uma das maiores figuras que já conheci, pela sua inteligência e visão administrativa. Quanto à Maria Omori, da Papelaria Célia e da Alice Ishikawa, irmã do meu grande amigo Roberto Ishikawa, não resisti ao carinho e admiração por essa amizade tão profunda e sincera.

Fica aqui meu abraço a toda Colônia Japonesa de Paraguaçu Paulista, que sempre foi honrada e amiga, que sempre participou da vida dessa cidade tão querida e que marcou presença em meu coração com amizade e respeito.

Ludwig Franchon

Desejo ampliar conhecimentos espirituais e compartilhar o que já adquiri na vivência cristã formando novas amizades.

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