Os bailes no PTC

Eu não poderia deixar de escrever e relembrar os maravilhosos bailes dos anos 60 e início dos anos 70 que aconteciam no Paraguaçu Tênis Clube.

                Dizem os meus amigos daqui de São Paulo que, nesta época, quase todas as cidades do interior promoviam estes bailes e que, também muitas tinham suas próprias orquestras, talvez influenciadas pelas Big Bands Americanas e também Brasileiras, já que Severino Araújo e Orquestra Tabajara eram genuinamente nacionais. Comentei tempos atrás, minha admiração e respeito pela Orquestra do Bizoca e Seus FonFons e, prazerosamente li uma matéria no jornal da cidade sobre o valor musical desse nosso querido conterrâneo e seus músicos.

                Mas o meu propósito não é discorrer sobre orquestras, e sim sobre os deliciosos bailes que curtíamos em Paraguaçu, seja lá no PTC ou na ACEPP. Não vivi os tempos do Clube Operário, mas sei que ele também teve seus tempos de glória, apenas tresloucados bailes de Carnaval, onde o piso até tremia com a agitação e marchinhas.

                Sabíamos com antemão dos grandes bailes que iriam acontecer na cidade, fosse de formatura ou de debutantes, e isso nos empolgava. Nós, os homens, vestíamos com rigor, traje social completo: terno invariavelmente preto, gravata e sapatos cuidadosamente engraxados.

                Além da roupa sempre confeccionada em alfaiatarias da cidade, (meu tio Aléssio era alfaiate e fez os meus), tínhamos um cuidado especial com nossa aparência: o corte dos cabelos, criteriosamente aparados no dito “corte americano”, um pouco antes do advento da “beatlemania”, que liberou os jovens de corpo e alma para a renascença cultural. Preparávamos-nos com esmero frente ao espelho para a noite, e não faltava o gumex nos cabelos armando o topete, e na falta dele, o próprio laquê das irmãs que também estavam empolgadas e iam todas produzidas para o baile.

                Estes bailes aconteciam invariavelmente aos sábados, e lá pelas 23 horas íamos nós, todos solenes, desfrutar uma noite que jamais seria esquecida.

                Lá chegando, comprávamos uma mesa e nos instalávamos com pompa e circunstância. Invariavelmente, as mesas tinham cinzeiros e podíamos fumar: era algo que fazia parte dos “bons costumes” e modismos da época, um tanto deplorável hoje e não mais condizente com os bons hábitos da sociedade.

                Pedíamos uma “Cuba Libre”: rum com Coca Cola, gelo e uma fatia de limão. Para mim, era proibido beber cerveja ou outra bebida que exalasse mau hálito e nos envergonhasse com as meninas e damas com quem iríamos dançar.

                Estes bailes eram sempre abrilhantados por orquestras de metais, uma riqueza cultural herdada das Big Bands Americanas, como disse lá em cima, e posteriormente, pelos conjuntos musicais, herança da maravilhosa Beatlemania, mas aquilo para nós era normal e trivial e não sabíamos naquele tempo, que estávamos vivendo os plenos “Anos Dourados”.

                A pista se enchia rapidamente ao som das músicas, e a luz se amenizava para que os casais pudessem dançar sem a intromissão dos olhares; acredito que ninguém ficava observando a pista e os casais, cada um estava mais preocupado consigo mesmo e com a companhia que estava desfrutando naquela noite maravilhosa.

                O tempo nestes bailes era algo que nos enganava: dançávamos simples, sem exibicionismo, de rostinhos colados e com todo o respeito à dama que nos acompanhava. Jamais flagrei ou ouvi falar de abusos indecorosos nestes bailes. Logo o baile acabava e nos recolhíamos às nossas casas.

                Lembro que num baile de debutantes, o conjunto da Jovem Guarda “Os Incríveis”, foi tocar lá no PTC, e o mestre de cerimônias, nada mais era que o Denis Carvalho. No meio do baile, Netinho, o baterista do conjunto, resolveu dar um espetáculo e ninguém entendeu o que estava acontecendo, só ele tocava e todos pararam de dançar olhando as loucuras dele. Tempos atrás, mais ou menos uns 13 anos, tive a felicidade de conhecer o Manito, músico desse conjunto, ele morava perto da minha casa aqui em São Paulo e frequentava o mesmo ambiente que eu. Tive o prazer de ouvi-lo tocar a minha clarinete e desfrutar sua amizade.

                Estes bailes iam até às 4 da manhã, e ninguém reclamava de cansaço, solidão ou tédio. Também nunca ouvi falar de exageros etílicos e brigas naquele ambiente tão sadio. Todos aproveitavam estas delícias até a orquestra encerrar suas atividades; saíamos de lá felizes e realizados com mais uma noitada de prazer e divertimento puro.

                Também, quando as realizações não eram tão grandiosas, estes bailes aconteciam no salão de baixo do PTC, e jamais vou esquecer as delícias que vivemos lá, com os conjuntos e orquestras da região tocando Beatles e seus clássicos.

                Tenho curiosidade em saber se estes bailes ainda acontecem em Paraguaçu, se ainda tem esse encanto e magia que vivemos na nossa juventude; hoje aqui em São Paulo vou prazerosamente aos bailes da terceira idade, para manter a tradição adquirida nessa terrinha tão amada por todos nós.

                Deixo o meu abraço forte e fraterno a todos que me leram, agradecendo todo o carinho que tenho recebido nos comentários que me incentivam escrever cada vez mais e melhor.

Ludwig Franchon

Desejo ampliar conhecimentos espirituais e compartilhar o que já adquiri na vivência cristã formando novas amizades.

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