O dia que eu fugi da polícia

Quando eu tinha apenas 7 anos, minha família tinha acabado de se mudar de Lutécia pra Paraguaçu, ainda não conhecíamos a cidade, e tudo era novidade, pra quem mal sabia o que era um ônibus. Os primeiros dias em Paraguaçu, naturalmente foram de descobertas, conhecer as casas, ruas vizinhas da casa da minha avó, onde estávamos morando temporariamente. Já no terceiro dia logo cedo, eu, meu irmão Sidney, mais novo e Genivaldo, mais velho, saímos pra fazer o “reconhecimento” da cidade, e resolvemos expandir nosso território até a longínqua Avenida Paraguaçu. No caminho, passamos em frente a uns bares, e nossos olhos brilhavam ao olhar as vitrines todas coloridas de doces de toda espécie, mas como não tínhamos dinheiro algum, tudo ficou só na vontade mesmo.

Chegando na Avenida, nos deparamos com o “caótico” trânsito, sim, caótico, em Lutécia víamos carro de vez em quando, tudo se movia a carroça por lá. Sentíamos que estávamos na “cidade grande”, muita gente, carro, trânsito, lojas, enfim, era tudo novo pra gente. Ao chegar na rua Sete de Setembro, vimos o símbolo da modernidade: Um semáforo, sim, aquilo era a coisa mais tecnológica que vimos na vida. Encantados com aquela máquina magnífica, nos sentamos na sarjeta, e passamos a observar a dinâmica do trânsito controlado por três luzes, e aquilo nos hipnotizou por alguns momentos.

Nossa maior surpresa, foi quando passou um fusquinha da polícia, ao passo que nos levantamos e saímos correndo em direção à Fonte Luminosa, com medo da polícia, que prendia crianças perdidas no centro da cidade, era o que nos diziam em Lutécia, pra não nos deixar na rua. Quando enfim, chegamos na Fonte, a polícia chegou junto, deu um “cavalinho de pau”, abriram-se as duas portas, e saíram dois policiais, mandando parar, senão atirariam. Eu mal conseguia me manter em pé, tamanho era meu medo e tremedeira. Começou um breve interrogatório:

_ Vocês são filhos dos “pé de pato”?

_Nóis não!

_Foram vocês que roubaram o óculos?

_Nóis não!

_Por que vocês correram?

_Porque a gente tava com medo

Acho que o policial, percebendo que éramos três caipiras perdidos na cidade grande, desistiu de prolongar a abordagem, nos aconselhou a não mais correr da polícia, e foram embora. Nisso, não tivemos mais vontade de “explorar” aquele território hostil, voltamos pra casa, todos sem graça, e resolvemos ficar perto da casa da “vó”, que era mais seguro.

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