Cene – Diva Figueiredo da Silveira

Paraguaçu, Paraguaçu! Minha passagem por esta inesquecível cidade foi marcada por fatos que para muitos também serão lembrados. Peço desculpas a quem hoje está com menos de 60 anos e que não viveu os anos dourados, já que vi comentários e sorri com isso.

Nos anos 60, tivemos a felicidade de conviver com uma figura que se tornou pública e famosa em todo o Brasil, o professor Nuno Cobra Ribeiro. Coisas do destino receber em nossa cidade um professor de Educação Física recém formado e que, com ideias novas para a época, marcou presença nesta querida cidade, e que depois se tornaria figura nacional.

Eu devia ter 12 ou 14 anos quando fui seu aluno de Educação Física, e já sentíamos o dinamismo desse professor que soube marcar passagem e se tornar uma figura inesquecível para quem com ele conviveu.

Antes, é bom lembrar a qualidade dos Mestres que tínhamos no glorioso CENE Diva Figueiredo Silveira. Citar nomes pode ser injusto, já que todos mereciam destaque e participaram não só da nossa formação escolar como moral. Até hoje discordo veementemente daqueles que dizem que a educação deve vir apenas do lar: acho que a Escola e a dignidade dos seus professores contribuem maravilhosamente para a formação do caráter da criança e do jovem. Foi assim no meu tempo!

O professor Nuno soube se diferenciar. Quando se tornou diretor do CENE, instituiu procedimentos cívicos que ainda hoje deveriam ser seguidos em todas as escolas: ele nos reunia no pátio central da escola, no intervalo das aulas, para cantarmos o Hino Nacional, dentro do maior respeito cívico e contrição, formando caráter e amor à pátria nos jovens e crianças sob sua responsabilidade.

Na época, as carteiras escolares eram de madeira, e quase sempre rabiscadas pelos alunos que escreviam seus nomes e faziam “colas” para as provas, tornando-as feias e poluídas. Um dia, o então diretor Nuno, programou que os próprios alunos deveriam lixar e envernizar suas carteiras, num mutirão escolar. Todos nos reunimos e lá fomos trabalhar nossas carteiras. A vidraçaria da cidade nos forneceu retalhos de vidros para raspar e foi inevitável os cortes e sangramentos dos incautos. Não lembro o resultado final dessa atividade, se as carteiras foram envernizadas ou não, mas foi inesquecível!

Outra passagem, exatamente comemorando o Dia da Árvore, o professor Nuno conseguiu com o Horto Florestal da cidade, mudas de árvores para serem plantadas ao longo da rodovia que faz acesso ao entroncamento com a Rodovia Raposo Tavares, e lá fomos nós na carroceria de caminhões da Prefeitura, plantar árvores na faixa de domínio da rodovia, pelo menos até o Distrito de Conceição de Monte Alegre; foi uma festa, e sempre me pergunto quantas árvores plantadas sobreviveram.

Sobre os desfiles patrióticos de 7 de setembro ou 15 de novembro, houve um em que nós desfilamos à noite, com tochas de fogo em latas de óleo e estopas embebidas, presas em cabos de vassouras. Lembro que foi solicitado à Companhia de Luz da cidade, que desligasse a iluminação pública para o desfile das tochas flamejantes, mas parece que choveu durante o desfile e foi a maior correria dos alunos.

São lembranças doces e que não vão se apagar para quem viveu a época. Muito tempo após, soubemos que nosso querido Professor Nuno Cobra Ribeiro era o preparador físico do inesquecível Airton Senna e vimos com contrição seu gesto de amor e respeito do Mestre ao querido piloto na homenagem póstuma prestada.

Agradeço a quem me leu e desde já peço desculpas se não fui completo ou cometi erros nestas lembranças que marcaram a vida de muitos. Deixo o meu abraço forte a todos, desejando que jamais percamos as raízes tão dignas que construímos nessa cidade tão querida.

Ludwig Franchon

Desejo ampliar conhecimentos espirituais e compartilhar o que já adquiri na vivência cristã formando novas amizades.

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